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Meditação Diária

Dom, 13 – Domingo XIX do Tempo Comum – Ano A
1 Reis 19, 9a.11-13a / Slm 84 (85), 9-14 / Rom 9, 1-5 / Mt 14, 22-33

«Salva-me, Senhor!» Esta é a raiz e a fonte da fé. O fundamento essencial da adesão a Cristo. É a consciência da nossa incapacidade de nos salvarmos a nós mesmos que nos abre à possibilidade de acolher o Senhor. É a experiência de sermos salvos, que se segue à consciência de que só Ele pode salvar, que nos leva a reconhecer o Senhor atuante e presente na nossa vida.

No Evangelho de hoje, vemos Jesus que tinha acabado de saciar a multidão com os pães e os peixes. Se calhar, os discípulos quereriam ficar ali a «saborear» aquele momento de glória, mas Jesus «obrigou os discípulos a subir para o barco». O Pão, que é o corpo do Senhor, é alimento para caminhar, para avançar e não para ficar parado. Com os discípulos na barca e a multidão despedida, Jesus sobe ao monte para rezar. Ele, em comunhão com o Pai, envia os seus discípulos na barca: é isto que acontece connosco quando encontramos o Senhor e somos saciados pelo seu corpo, na Eucaristia.

Dentro da barca da Igreja, somos convidados a atravessar deste para o outro lado da vida com a certeza, que nos dá o Senhor, de que Ele estará sempre connosco, até ao fim dos tempos. Pedro, como em muitas outras passagens, representa cada um de nós e toda a Igreja: quando olhamos para o Senhor, quando temos confiança na sua promessa, conseguimos avançar na sua direção, na certeza de que estamos com Ele e de que nada nesta vida nos poderá afastar do seu amor. Por outro lado, quando começamos a olhar para as nossas dificuldades, ficamos com medo, começamos a ir ao fundo e o mundo parece-nos um lugar agressivo, violento e perigoso. É aqui que nos resta sempre o grito: «salva-me, Senhor!» Este grito faz com que desviemos os olhos dos nossos problemas e das nossas angústias e dirijamos o olhar para Cristo, nosso Senhor.

Esta é a condição da Igreja, a barca em que navegamos nesta vida, e é a nossa condição: o Senhor está junto do Pai a interceder por nós, Pontífice supremo, divino-humano, presente no meio de nós como Amor fraterno, habita os nossos corações, não como um fantasma, mas como Aquele-que-é a potência salvadora de Deus, como Espírito de verdade e de Amor.

Jesus partiu, subiu definitivamente ao monte e o seu modo de estar connosco não é senão a ausência, é o Ausente que venceu a morte e caminha, junto a nós, sobre as águas, por vezes tempestuosas, que temos de atravessar ao longo da vida. O Senhor é também Aquele-que-vem, que está sempre a vir: Ele subiu ao Pai, mas não deixou de ser Aquele-que-vem ao nosso encontro, presente no Pão, na Palavra e nos irmãos que connosco fazem esta travessia dentro da mesma barca, símbolo da comunidade que é a Igreja. Esta, tal como cada um de nós, acolhendo o convite do Senhor a confiar e dirigir-Lhe o olhar, caminha sobre as águas. No entanto, se começa a olhar demasiado para os próprios problemas, necessidades e dificuldades, afunda. Mas sempre, sempre nos resta o grito daquele que sabe que sozinho não se pode salvar, resta-nos sempre a invocação do nome d’Aquele que salva. Esta aventura de Pedro é a aventura da vida de cada um de nós e da Igreja. Senhor, salva-me!