O Vaticano anunciou recentemente que a Mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz em 2011 se centrará na temática da liberdade religiosa, tendo como título «Liberdade religiosa, caminho para a paz».
Sabemos que, um pouco por todo o mundo, são vários os sinais de intolerância religiosa, que afectam várias comunidades. Neste contexto, os cristãos, e concretamente os católicos, parecem ser um «alvo preferencial».
As situações nem sempre são divulgadas, pelo menos na comunicação social habitualmente mais ligada às grandes massas, mas uma pesquisa mais atenta em alguns meios de comunicação social, concretamente em páginas da internet de agências noticiosas, permite verificar que frequentemente, se não diariamente, há atitudes discriminatórias contra comunidades religiosas, que violam o direito a essa mesma liberdade. Raptos, ameaças e atentados contra pessoas, lugares sagrados ou instituições ligadas à Igreja ou profanação de lugares e símbolos sagrados são apenas alguns exemplos.
Vários documentos e relatórios, elaborados a nível internacional, revelam também a existência dessa mesma atitude discriminatória, muitas vezes cometida por cidadãos extremistas ligados a outras religiões
E, embora se baseie na religião, a discriminação de que muitos cidadãos por esse mundo fora são alvo reflecte-se a outros níveis, nomeadamente na vida em sociedade. Por isso mesmo, para «garantir» a sua liberdade religiosa, eles «vêem-se obrigados» a emigrar para outras nações onde supostamente podem viver essa liberdade.
Não é de estranhar, por isso, que, em certos países, as comunidades, concretamente as cristãs, comecem a diminuir, havendo mesmo a ameaça de algumas desaparecerem, o que leva as autoridades religiosas locais a fazer apelos constantes à sua permanência.
Neste sentido, pode dizer-se que os que ficam são verdadeiros heróis, que, apesar das limitações, não renunciam à sua religião e enfrentam os entraves existentes, vivendo por vezes de modo clandestino.
O comunicado da Santa Sé em que se anuncia o tema da Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2011 lembra o discurso de Bento XVI na Organização das Nações Unidas, em Abril de 2008. Na ocasião, o Santo Padre afirmou que «os direitos humanos devem incluir o direito de liberdade religiosa, compreendido como expressão de uma dimensão que é ao mesmo tempo individual e comunitária, uma visão que manifesta a unidade da pessoa, mesmo distinguindo claramente entre a dimensão de cidadão e a de crente».
Por diversas vezes, o Papa mostrou (e continua a mostrar) a sua preocupação com a importância de se respeitar a liberdade religiosa no mundo. Neste contexto, enquadra-se a Intenção Missionária para o mês de Agosto, segundo a qual a Igreja deve ser «o “lar” de todos, pronta a abrir as suas portas a quantos são obrigados a emigrar por causa de discriminações raciais e religiosas, da fome e das guerras».
Embora a realidade não pareça ser muito animadora, é de destacar e dar importância a sinais e iniciativas que, pontualmente, em diversos pontos do globo, vão unindo elementos de várias religiões. Importante mesmo era que esses sinais se multiplicassem e que a religião que cada cidadão professa não fosse impedimento para uma (con)vivência pacífica nos seus países de origem, não tivesse consequências a outros níveis nem os obrigasse a abandonar as suas terras e as suas famílias. Só assim a liberdade religiosa poderá ser um verdadeiro caminho para a paz.
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