O MUNDO À NOSSA VOLTA
Os Pastores e o silêncio e João Paulo II (P. Passos Silva)


E voltamos ao silêncio!

Hoje, vamos fixar a nossa atenção na Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis, de João Paulo II.

Numa busca rápida, no documento, pela palavra «silêncio» aparecem quatro referências que vou “colar” a seguir e sublinhar a negrito.

No capítulo IV, sob o título «Vinde ver», subtítulo «A vocação sacerdotal na pastoral da Igreja» e na secção «Conteúdos e meios da pastoral vocacional», o Papa escreve, no nº 38, § 4º:

«A Igreja, na sua dignidade e responsabilidade de povo sacerdotal, tem na oração e na celebração da liturgia, os elementos essenciais e primários da pastoral vocacional. A oração cristã, de facto, nutrindo-se da Palavra de Deus, cria o espaço ideal para que cada um possa descobrir a verdade do ser e a identidade do projecto de vida pessoal e irrepetível que o Pai lhe confia. É necessário, portanto, educar em particular as crianças e jovens para que sejam fiéis à oração e à meditação da Palavra de Deus: no silêncio e na escuta poderão ouvir o chamamento do Senhor ao sacerdócio e segui-Lo com prontidão e generosidade».


No capítulo V, sob o título «Estabeleceu doze que estivessem com Ele», subtítulo «A formação dos candidatos ao sacerdócio» e na secção «Viver no seguimento de Cristo como os apóstolos», o Papa escreve no nº 42, § 2º:

«“Que estivessem com Ele”: nestas palavras, não é difícil ler o “acompanhamento vocacional” dos apóstolos por parte de Jesus. Depois de os ter chamado e antes de os enviar, melhor, para os poder enviar a pregar, o Senhor pede-lhes um “tempo” de formação, destinado a desenvolver uma relação de comunhão e de amizade profunda Consigo mesmo. A estes, reserva Ele uma catequese mais aprofundada relativamente à do povo (cf. Mt 13, 11) e quer-los testemunhas da sua silenciosa oração ao Pai».


No mesmo capítulo, nº 47, §5º, escreve:

«Num contexto de agitação e ruído como o da nossa sociedade, uma necessária pedagogia para a oração é a educação para o sentido profundamente humano e para o valor religioso do silêncio, qual atmosfera espiritual indispensável para se perceber a presença de Deus e para se deixar conquistar por ela (cf. 1 Re 19, 11-14)».


No capítulo VI, sob o título «Exorto-te a que reanimes o dom de Deus que está em ti», subtítulo «A formação permanente dos sacerdotes» e na secção «O significado profundo da formação permanente», o Papa escreve no nº 74, § último:

«A solidão, porém, não cria só dificuldades, oferece também oportunidades positivas para a vida sacerdotal: “aceite com espírito de oferta e procurada na intimidade com Jesus Cristo Senhor, a solidão pode ser uma oportunidade para a oração e o estudo, como também uma ajuda para a santificação e o crescimento humano”. Uma certa forma de solidão é elemento necessário para a formação permanente. Jesus sabia retirar-Se, por vezes, para orar sozinho (cf. Mt 14, 23). A capacidade de aguentar uma boa solidão é condição indispensável para o cuidado da vida interior. Trata-se de uma solidão habitada pela presença do Senhor, que, na luz do Espírito Santo, nos põe em contacto com o Pai. Neste sentido, a procura do silêncio e de espaços e tempos de “deserto” é necessária à formação permanente, quer no campo intelectual, quer no campo espiritual e pastoral. Neste sentido ainda, pode-se afirmar que não é capaz de verdadeira e fraterna comunhão, quem não sabe viver bem a própria solidão».

Parece-me que estes quatro textos podem servir para o início da Quaresma que se aproxima.

 

O mundo à nossa volta
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